O meio ambiente vem sendo agredido cada vez mais violentamente pelo e-waste; estima-se que em 2017, cerca de 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico (computadores, baterias, celulares etc.) foram descartados, quase sempre de maneira impropria.
Na Índia, 25 mil trabalhadores, boa parte crianças, são empregados em áreas de tratamento de sucata em Nova Delhi, por exemplo. Em Guiyu, cidade chinesa, estima-se que 80% das crianças sofrem de algum tipo de doença respiratória por causa do ar contaminado vindo de áreas de reciclagem ou lixões a céu aberto. Em Accra, Ghana, a contaminação ambiental é predominantemente causada pela queima do revestimento plástico de fios de cobre.
A fumaça liberada destes plásticos e metais utilizados nos componentes eletrônicos é altamente tóxica e cancerígena - a Organização Mundial de Saúde afirma que metais pesados, como chumbo e cádmio, presentes em componentes eletrônicos, mesmo em níveis baixos, podem ameaçar o desenvolvimento infantil e causar danos neurológicos..
Governos e ONGs têm se mobilizado para regularizar processos de reciclagem, mas isto não é suficiente. Nas últimas décadas, para seduzir consumidores a trocar (e consequentemente descartar) seus equipamentos, práticas de marketing agressivas e uso de técnicas de obsolescência planejada são usadas de forma descarada.
Dado esse cenário, não há outra solução para os produtos descartados senão a adoção "Logística Reversa", a qual lida com o caminho inverso, isto é, do produto que está nas mãos dos consumidores até sua volta ao fabricante para reaproveitamento de partes ou descarte adequado
Reciclar eletrônicos é coisa de especialistas, pelo que os fabricantes devem assumir suas responsabilidades (e uma posição de liderança) na solução desse problema, como já faz, por exemplo, a indústria de pneus.
Isso deve ser feito tomando-se providências como investir na construção de estruturas próprias de reciclagem; implantar pontos de coleta de produtos usados em cada um de seus pontos de venda e reciclar seus produtos reutilizando materiais de forma sustentável.
Isso ocorre de maneira muito tímida: recentemente demorei cerca de um mês para conseguir descartar adequadamente um e-reader; algumas empresas já fazem isso também de forma muito tímida como pode ser visto aqui.
É um problema que não pode esperar para ser resolvido.