A Gurgel, mais importante indústria nacional de automóveis,
foi fundada em setembro de 1969 em Rio Claro, interior
paulista, com capital de cerca de US$ 50
mil, pelo engenheiro João Augusto
Conrado do Amaral Gurgel, que sonhava com um carro genuinamente brasileiro.
O primeiro modelo foi o Ipanema, um bug de linhas
modernas, com chassi, motor e suspensão
Volkswagen. Com seis
funcionários, produzia quatro unidades
por mês. Gurgel batizava seus carros com nomes brasileiros, homenageando nossas
tribos. Em 1973 lançou o Xavante, que seria seu principal produto – chamava-se
no início X10, era um jipe. Sobre o capô dianteiro chamava
atenção a presença do estepe.
A Gurgel foi o primeiro exportador na categoria carros
especiais em 1977 e 1978 e o segundo em produção e faturamento nestes dois anos
- 25% da produção seguia para fora do Brasil. Eram fabricados 10 carros por
dia, sendo o X12 o principal produto. Em 1980 a linha era composta de 10
modelos - todos podiam ser fornecidos com motores a gasolina ou álcool.
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O X12 |
Faziam parte da linha, entre outros, o X12 TR com teto rígido, o jipe comum com
capota de lona (que era a versão mais barata do X12), o X12 RM (teto rígido e meia capota) e a versão
X12 M, militar. Este, exclusivo das Forças Armadas, já vinha na cor-padrão do
Exército, com acessórios específicos. No
ano de 1984, a Gurgel lançava o jipe Carajás; as versões eram TL (teto de
lona), TR (teto rígido) e MM (militar). Versões especiais ambulância e furgão
também existiram.
Além dos utilitários, Gurgel sonhava com um minicarro
econômico, barato e 100% brasileiro para os centros urbanos. Em 1985 apresentou à FINEP - Financiadora de Estudos e
Projetos a idéia do CENA, ou Carro Econômico Nacional. A empresa recebeu um financiamento
para o desenvolvimento e fabricação de
protótipos e da cabeça de série para duas mil unidades/ano. E em 1987, após
completar seu desenvolvimento, o novo carrinho urbano, denominado BR-800 (BR de
Brasil e 800 representando o volume de deslocamento em seu motor de dois
cilindros horizontais contrapostos) foi apresentado ao público oficialmente no
desfile de 7 de setembro em Brasília.
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O BR-800 |
Em dezembro de 1989 foi entregue a milésima unidade do BR-800, que inicialmente, de acordo com a
estratégia da empresa, foi vendido apenas para os acionistas da empresa, que
eram instados a fornecer sugestões e críticas. Com isso, a Gurgel criou a maior
frota de testes do mundo, com mais de 5.000 veículos rodando nas mãos de seus
sócios.
Apesar de beneficiado por uma redução de impostos, o BR-800 não fez sucesso por muito tempo. No
início dos anos 90 a empresa já não ia tão bem; precisava de empréstimos para investimentos e projetos. Em 1990, o
surgimento do Uno Mille, seguido por outros modelos da mesma faixa, maiores e mais rápidos que o Gurgel, criou incômoda concorrência, pois tinham
quase o mesmo preço. Uma evolução, o Supermíni, veio em 1992 - tinha um estilo moderno, medindo 3,19 m de comprimento, era ainda
o menor carro fabricado aqui, mas não consegui reverter a situação da empresa.
Atolada em dívidas e enfraquecida pela concorrência das multinacionais, a
Gurgel pediu concordata em junho de 1993 e acabou fechando as portas no final
de 1994.