
Na atualidade
quase tudo o que escrevemos é escrito com a ajuda de um computador, tablet ou
smartphone. Mas no passado, o mais sofisticado instrumento de escrita
disponível era a Parker 51 – muitos especialistas consideram-na
a melhor caneta tinteiro de todos os tempos.
Lançada
nos Estados Unidos em 1941, após um longo período de pesquisa e desenvolvimento,
teve sua produção praticamente paralisada em função da entrada do país na
guerra. Apesar disso, a Parker continuou anunciando-a, o que criou uma demanda
imensa que demorou anos a ser atendida após a fábrica voltar a produzi-la
normalmente no final da guerra.
Aqui no Brasil, a empresa anunciava na revista “O
Cruzeiro”, dizendo que em breve a caneta passaria a ser vendida em nosso país. Meu
pai ganhou uma de minha mãe como presente de formatura no final dos anos 1940 –
ninguém podia usa-la além dele, até que um de seus funcionários roubou-a nos
anos 1970. Para consola-lo, dei a ele uma 51 Mark II, fabricada no Brasil, mas que nem
de longe se aproximava da original – a Parker teve uma fábrica em São Paulo que
operou de 1959 até o início dos anos 1990.
A caneta recebeu o nome “51” como
referência ao 51º aniversário da empresa, que aconteceu em 1939, ano em que o
produto teve seu desenvolvimento concluído – dar esse nome à caneta inclusive
resolveu um problema de marketing, que seria traduzir o nome em outros idiomas.

De perfil, a caneta tinha alguma
semelhança com o caça americano Mustang P-51, o mais avançado caça americano
utilizado extensivamente na guerra. O nome “51” nada tinha a ver com o avião,
mas a Parker explorou a semelhança em suas campanhas publicitárias.
Além de meu pai, inúmeras celebridades foram usuárias da “51”: Einstein, Churchill, Nelson Rockfeller, Margaret
Thatcher, Lyndon Johnson, John Kennedy, Lee Iacocca.
Ernest Hemingway, o General Eisenhower (que
usou a sua para aceitar a rendição dos alemães)
e o ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso, que utilizou uma “51” de ouro, que pertencera a Getúlio Vargas, para assinar o termo de posse
de seu segundo mandato em janeiro de 1999. Com pequenas alterações a caneta
permaneceu em linha até 1972, tendo em 2002 a Parker lançado uma edição
comemorativa destinada a colecionadores.
Aqui no Brasil, joalheiros do
Rio de Janeiro produziam corpos e tampas em ouro maciço, destinadas aos
usuários mais abastados – essas versões, chamadas “carioquinhas”, são muito
disputadas por colecionadores; abaixo, uma delas.