Em 19 de outubro de 1934, um avião de passageiros caiu no mar, entre a Austrália e a Tasmânia, perecendo todos os que estavam a bordo, inclusive o missionário anglicano Hubert Warren, à época com 33 anos de idade e que iria assumir a paróquia de Enfield, em Sidney, capital da Austrália. Sua esposa Ellie e filhos faziam o mesmo trajeto, porém viajando de navio.
Certa noite David sonhou com um equipamento que havia visto recentemente: um gravador de bolso, o Miniphon, o primeiro gravador de bolso a ser comercializado, e que era usado por executivos - teve então um "estalo" - se houvesse um aparelho a bordo dos aviões que pudesse gravar os diálogos da tripulação e outros dados do voo, talvez fosse possível descobrir a causa dos acidentes.
Expôs a ideia a seus chefes e a pilotos, que a repeliram, fortemente. David não desistiu, e continuou aperfeiçoando o protótipo que estava construindo, com atenção especial à proteção para que não fosse destruído se um acidente ocorresse. Certo dia, um amigo o apresentou ao Vice Marechal do Ar Sir Robert Hardingham, um inglês que ocupava um alto cargo na área aeronáutica naquele país.
Apesar de usualmente pintado em laranja para facilitar sua recuperação em caso de acidentes, o aparelho tornou-se conhecido como "caixa preta" - no equipamento usualmente consta a expressão "Flight Recorder - Do Not Open", algo como "Gravador de Voo - Não Abra".
Warren trabalhou para o governo australiano até aposentar-se em 1983 - faleceu em 2010. Dotado de grande senso de humor, quando perguntado se recebera alguma vantagem financeira pela invenção, respondeu que não, mas que o governo também não lhe cobrara nada por cem outras ideias que tivera, tentara desenvolver e que não funcionaram.
Seus filhos, também dotados de grande senso de humor, colocaram em seu caixão um cartaz com a expressão "Flight Recorder Inventor - Do Not Open"...