Muitos se preocupam com os efeitos negativos dos videogames sobre a cognição.
No entanto, pesquisas recentes dão conta
que alguns games podem ajudar o cérebro a processar informações com mais
eficiência e a se adaptar melhor a tarefas complexas.
Pesquisadores como os Professores C.
Shawn Green, da Universidade de Wisconsin e Carlos Coronel, do Trinity College de
Dublin, destacam que tanto a estrutura quanto o ritmo de determinados jogos trazem
ganhos cognitivos. Estudos liderados por eles apontam benefícios distintos em
diferentes games, especialmente nos de estratégia em tempo real e nos de ação
acelerada.
Um estudo publicado em 2024 na revista NeuroImage
comparou, por meio de exames de neuroimagem, 31 jogadores experientes de StarCraft
II com 31 não jogadores - esse jogo exige alocação de recursos e
coordenação de exércitos sob constante pressão temporal. Os pesquisadores
observaram que os cérebros dos gamers eram “mais eficientes no processamento de
informações”, com maior conectividade em áreas ligadas à atenção visual e à
função executiva.
Em 2025, uma pesquisa divulgada pela Nature
Communications ampliou os resultados, mostrando que cérebros de jogadores
experientes aparentavam ser até quatro anos mais jovens do que sua idade
cronológica. O Professor Coronel afirmou que a complexidade cognitiva dos games
- assim como em atividades criativas como arte ou música - pode preservar
conexões neurais vulneráveis ao envelhecimento e melhorar a capacidade de
processamento mental.
Mesmo exposições moderadas mostraram
efeitos mensuráveis. Participantes sem experiência que jogaram cerca de 30
horas de StarCraft II em algumas semanas apresentaram envelhecimento
cerebral mais lento do que aqueles que praticavam o jogo de cartas Hearthstone.
“Quanto mais você pratica, mais benefícios terá”, disse o Professor Coronel,
ressaltando que melhorias surgem antes mesmo do atingimento de níveis
avançados.
Apesar dos avanços, especialistas
alertam que hábitos saudáveis de jogo devem seguir os mesmos princípios da boa
forma cerebral: diversidade e moderação. “Não posso dizer que jogar videogame
por horas e horas será bom para a saúde mental”, ponderou o Professor Coronel.
Equilibrar o tempo de jogo com atividade física, interação social e sono
continua essencial.
O Professor Aaron Seitz, da Northeastern
University, recomenda sessões de 30 a 60 minutos, explorando diferentes tipos
de games, pois acredita que a variedade mantém a cognição afiada e incentiva
adultos mais velhos a experimentar títulos novos, mesmo diante da frustração
inicial. “Quando você começa a ficar bom, já não é útil. É preciso encarar o
difícil e o incômodo”, disse.
Em síntese, os pesquisadores concordam:
não há hábito único capaz de garantir cognição elevada ou envelhecimento
cerebral mais lento. Para o Professor Coronel, manter o cérebro saudável exige
“múltiplas camadas na vida” - atividades criativas, exercício, descanso,
conexão social e desafios mentais como os jogos digitais.


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