domingo, 5 de abril de 2026

O pescoço na era digital: o “tech neck” vira alvo da indústria da beleza



O uso excessivo do celular traz uma série de
males, como problemas de visão, distúrbios do sono, ansiedade, depressão e até alterações cognitivas.   Além disso, há impactos físicos como dores no pescoço e coluna e sociais, como isolamento e dependência.

Agora, dermatologistas e fabricantes de cosméticos afirmam que o uso do celular também pode estar mudando a forma como o pescoço envelhece. Horas passadas olhando para baixo, diante de celulares e outros dispositivos, estão contribuindo para uma condição conhecida informalmente como “tech neck” (em português, algo como “pescoço de tecnologia”), as linhas horizontais que se formam no pescoço e se aprofundam com o tempo.

Essas marcas não são novidade, mas sua visibilidade tem se tornado uma preocupação estética crescente e uma oportunidade lucrativa para o mercado da beleza.  

Segundo dados da Harmony Healthcare IT, uma empresa especializada em gestão de dados de saúde, os norte-americanos passam em média 5 horas e 16 minutos por dia no celular; entre os jovens da Geração Z, aqueles nascidos entre meados da década de 1990 e início dos anos 2010, esse número ultrapassa 6 horas e meia.

A indústria está sendo rápida: marcas tradicionais atualizaram linhas de produtos e campanhas para tratar os efeitos do uso diário de dispositivos. A Olay, que faz parte do grupo Procter & Gamble lançou um tratamento com o slogan “Tech Neck Got You Down? Give it a Lift” (algo como “Tech Neck levou você para baixo?  Levante-o”). Já a francesa RoC, que faz parte do grupo Johnson & Johnson, desenvolveu um bastão hidratante específico para o pescoço cujas vendas dispararam.

Empresas menores foram além: a Solawave apostou em dispositivos de terapia com luz vermelha (fotobiomodulação), enquanto a Brickell incluiu em seu manual de cuidados uma seção intitulada “Como corrigir rugas de tech neck”. O guia compara o ato de inclinar a cabeça 45 graus para baixo à aplicação de um peso de 22 quilos sobre o pescoço.

Influenciadores também estão surfando nessa onda: Molly J. Curley, promove um creme através de anúncios pagos no Facebook e gerou vendas de US$ 500 mil em fevereiro.

A medicina estética também está ganhando com essa onda: o cirurgião plástico nova-iorquino Sam Rizk relatou aumento de 25% na procura por lifting de pescoço entre pacientes na faixa dos 30 anos, principalmente em função das discussões sobre tech neck.

Curiosamente, ele faz uma recomendação que dispensa bisturi: um suporte de celular articulado que mantém a tela e o queixo erguidos.