domingo, 12 de abril de 2026

Alguns videogames podem ajudar o cérebro



Muitos se preocupam com os efeitos negativos dos videogames sobre a cognição.

No entanto, pesquisas recentes dão conta que alguns games podem ajudar o cérebro a processar informações com mais eficiência e a se adaptar melhor a tarefas complexas.

Pesquisadores como os Professores C. Shawn Green, da Universidade de Wisconsin e Carlos Coronel, do Trinity College de Dublin, destacam que tanto a estrutura quanto o ritmo de determinados jogos trazem ganhos cognitivos. Estudos liderados por eles apontam benefícios distintos em diferentes games, especialmente nos de estratégia em tempo real e nos de ação acelerada.

Um estudo publicado em 2024 na revista NeuroImage comparou, por meio de exames de neuroimagem, 31 jogadores experientes de StarCraft II com 31 não jogadores - esse jogo exige alocação de recursos e coordenação de exércitos sob constante pressão temporal. Os pesquisadores observaram que os cérebros dos gamers eram “mais eficientes no processamento de informações”, com maior conectividade em áreas ligadas à atenção visual e à função executiva.

Em 2025, uma pesquisa divulgada pela Nature Communications ampliou os resultados, mostrando que cérebros de jogadores experientes aparentavam ser até quatro anos mais jovens do que sua idade cronológica. O Professor Coronel afirmou que a complexidade cognitiva dos games - assim como em atividades criativas como arte ou música - pode preservar conexões neurais vulneráveis ao envelhecimento e melhorar a capacidade de processamento mental.

Mesmo exposições moderadas mostraram efeitos mensuráveis. Participantes sem experiência que jogaram cerca de 30 horas de StarCraft II em algumas semanas apresentaram envelhecimento cerebral mais lento do que aqueles que praticavam o jogo de cartas Hearthstone. “Quanto mais você pratica, mais benefícios terá”, disse o Professor Coronel, ressaltando que melhorias surgem antes mesmo do atingimento de níveis avançados.

Apesar dos avanços, especialistas alertam que hábitos saudáveis de jogo devem seguir os mesmos princípios da boa forma cerebral: diversidade e moderação. “Não posso dizer que jogar videogame por horas e horas será bom para a saúde mental”, ponderou o Professor Coronel. Equilibrar o tempo de jogo com atividade física, interação social e sono continua essencial.

O Professor Aaron Seitz, da Northeastern University, recomenda sessões de 30 a 60 minutos, explorando diferentes tipos de games, pois acredita que a variedade mantém a cognição afiada e incentiva adultos mais velhos a experimentar títulos novos, mesmo diante da frustração inicial. “Quando você começa a ficar bom, já não é útil. É preciso encarar o difícil e o incômodo”, disse.

Em síntese, os pesquisadores concordam: não há hábito único capaz de garantir cognição elevada ou envelhecimento cerebral mais lento. Para o Professor Coronel, manter o cérebro saudável exige “múltiplas camadas na vida” - atividades criativas, exercício, descanso, conexão social e desafios mentais como os jogos digitais.